Engenharia Genética

O presente blog foi criado com o propósito de melhorar e aprofundar os conhecimentos científicos acerca da temática da Biotecnologia. Nele vão poder encontrar notícias actuais, imagens alusivas ao tema em estudo,documentos e diversos artigos...Tudo para um enriquecimento dos nossos conhecimentos acerca da disciplina Biologia...

terça-feira, janeiro 31, 2006

Tudo sobre Engenharia Genética...

História

Os pesquisadores norte-americanos George W.Beadle e Edward L.Tatum, na década de 30, demonstraram a regulação pelos genes da produção de proteínas e enzimas e a consequente intervenção nas reacções dos organismos dos animais. A partir destas pesquisas, teve início o progresso de descoberta da estrutura genética humana.
Oswald T. Avery, em 1944, pesquisando a cadeia molecular do ácido desoxirribonucleico (DNA), descobriu que este é o componente cromossómico que transmite informações genéticas.
Em 1953, os ingleses Francis H. C. Crick, Maurice Wilkins e o norte-americano James D. Watson conseguiram mapear boa parte da estrutura da molécula de DNA.
Em 1961, os franceses François Jacob e Jacques Monod pesquisaram o processo de síntese de proteínas pelas células bacterianas. Descobriram que o principal responsável por essa síntese é o DNA, que passou então a ser o elemento central das pesquisas de engenharia genética.
Em 1972, na Universidade de Stanford, Califórnia, o norte-americano Paul Berg ligou duas cadeias de DNA. Uma era de origem animal, a outra bacteriana. Esta foi a primeira experiência bem sucedida onde foram ligadas duas cadeias genéticas diferentes, e que é considerada por muitos autores o início da criação sintética de produtos de engenharia genética. Em 1978, o suíço Werner Arber e os norte-americanos Daniel Nathans e Hamilton O. Smith foram laureados com o Nobel de Medicina por terem descoberto as enzimas de restrição, substâncias capazes de fragmentar a cadeia de DNA controladamente em pontos específicos, por complementaridade com as bases nucleotídicas.
Iniciou-se, então, a era da manipulação de mensagens genéticas expressas em sequências de fragmentos que compõem o código hereditário, os nucleótidos.
A partir deste momento a engenharia genética passou a cortar ou modificar as moléculas de DNA, utilizando enzimas específicas que reconhecem as mensagens codificadas. As ligases, enzimas que agem para unir a cadeia fragmentada, começaram a ser descobertas e sintetizadas para manipulação genética. A sequência de descobertas cresceu rapidamente, os genes começaram a ser transplantados, e a possibilidade de isolá-los do resto do DNA do organismo de que procedem possibilitou sua sintetização a partir do ácido ribonucleico, o RNAm, do qual depende o código genético. Passou a ser real sua cópia de acordo com a sequência do DNA, portanto, a síntese artificial de diversas substâncias orgânicas também.

Exemplos de produtos oriundos das técnicas de engenharia genética

Alguns exemplos típicos de produtos oriundos do uso de métodos de engenharia genética são:
- a insulina
- os interferonas
- a interleucina
Algumas proteínas do sangue:
- a albumina
- o factor VIII.
- alguns tipos de activadores das defesas orgânicas para o tratamento do cancro, como o factor necrosante de tumores.
A criação de vacinas sintéticas contra:
- malária
- hepatite B
A criação e o desenvolvimento de biotecnologias para a pesquisa segura de substâncias cuja manipulação envolve alto risco biológico:
- vacinas que se preparam com vírus infecciosos, com risco de fuga descontrolado

Aplicações

Umas das mais conhecidas aplicações da engenharia genética são os organismos geneticamente modificados (OGM).
Existem muitas aplicações biotecnológicas da modificação genética, por exemplo as vacinas orais produzidas nas frutas. Isto representa o desenvolvimento das modificações genéticas para os usos médicos e abre uma porta ética para os usos da tecnologia para modificar os genes humanos.
Uma das maiores ambições de alguns grupos de pesquisadores é a possibilidade da melhoria das capacidades humanas físicas e mentais pelo uso da engenharia molecular.

Ética

Pela sua natureza, o desenvolvimento da engenharia genética convive com problemas legais e éticos. Um dos principais factores que exigem um controle estreito da sociedade organizada, e tem gerado polémicas ético-morais, é a manipulação da herança genética de seres vivos com fins eugénicos, ou seja, a depuração da espécie, ou das raças com a finalidade de criar uma espécie, ou raça nova por meios não naturais. Um exemplo típico seriam as mutações controladas, que em determinado momento podem fugir a este controle e resultar na obtenção de microrganismos, ou mesmo organismos com características inexistentes e desconhecidas, como a capacidade de produzir toxinas ou doenças, ou ainda bactérias com resistência a antibióticos, entre outros.
Em 1993, os pesquisadores Robert Stillman e Jerry Hall realizaram a primeira clonagem de embriões humanos. Embora não tenha sido continuada a experiência, houve protestos em todo o mundo. Este facto por si só, criou implicações religiosas e morais. Estas levaram à necessidade de uma regulamentação rígida das pesquisas com embriões humanos. A finalidade é evitar o uso de técnicas de engenharia genética cujo objectivo pode ser a alteração permanente do fenótipo da espécie. Além disso, as técnicas de clonagem podem ser utilizadas para copiar artificialmente indivíduos que apresentem genótipos considerados óptimos para determinados fins (militares, ou mesmo olímpicos por exemplo, com a criação de uma super-raça humana).

Benefícios alegados

Os especialistas das técnicas genéticas actuais enumeram os benefícios que a tecnologia pode ter nas plantas comestíveis. Por exemplo, nas difíceis condições agrícolas dos países em desenvolvimento (também conhecidos como países subdesenvolvidos, ou do Terceiro Mundo). Dizem que, com modificações, as colheitas existentes poderiam prosperar sob as circunstâncias relativamente hostis, fornecendo maiores quantidades de alimento. A ideia do chamado arroz dourado também agrada os peritos, uma variedade geneticamente alterada do arroz, que contém níveis elevados de vitamina A. Existe a esperança que este arroz possa aliviar o défice de vitamina A no Mundo, que contribui para a morte de milhões de pessoas anualmente.
Os peritos afirmam ainda que as colheitas geneticamente projectadas não são significativamente diferentes daquelas modificadas pela Natureza ou pelos seres humanos no passado, e estas que, pela extensão, são tão seguras ou mesmo mais seguras do que o uso de tais métodos. Existe uma transferência de gene entre eucarióticos e procarióticos unicelulares. Até agora ainda não houve catástrofes genéticas resultantes disto.

Efeitos políticos e económicos

Muitos oponentes à engenharia genética actual acreditam que a ascensão do uso de OGM em grandes plantações causou uma poderosa inclinação em agricultura para companhias de biotecnologia, que ganham poder excessivo na produção de comida, e sobre os agricultores que usam os seus produtos também.
Pessoas a favor das técnicas correntes de engenharia genética acreditam que vai diminuir a necessidade de pesticidas e trouxe maior produtividade agrícola para muitos agricultores, incluindo até os dos países em desenvolvimento. As licenças de OGM permitem aos agricultores dos países em desenvolvimento poupar sementes para a plantação do ano seguinte.
By: Catarina

sábado, janeiro 28, 2006

Biossegurança

A Biossegurança é uma medida que surgiu no século XX, voltada para o controle e a minimização de riscos advindos da prática de diferentes tecnologias, seja em laboratório ou quando aplicadas ao meio ambiente. A Biossegurança é regulada em vários países no mundo por um conjunto de leis, procedimentos ou directivas específicas.
Em alguns países, a legislação de Biossegurança engloba apenas a tecnologia de Engenharia Genética — que é a tecnologia do DNA ou RNA recombinante — estabelecendo os requisitos mínimos para o manejo de Organismos Geneticamente Modificados (OGM’s) para permitir o desenvolvimento sustentado da Biotecnologia moderna. É, assim, responsável pelas emissões de pareceres técnicos sobre qualquer liberação de OGMs no meio ambiente e acompanhar o desenvolvimento e o progresso técnico e científico na Biossegurança e áreas afins, com o objectivo de promover uma segurança aos consumidores e à população em geral, com permanente cuidado à protecção ambiental.O fundamento básico da Biossegurança é, assim, estudar, entender e tomar medidas para prevenir os efeitos adversos da moderna biotecnologia, sendo prioritário proteger a saúde humana, animal e o meio ambiente, para assegurar o avanço dos processos tecnológicos.
By: Catarina

Produtos da Biotecnologia


A biotecnologia, mesmo com todos os benefícios e produtos gerados, tem provocado inúmeros debates e controvérsias ao nível dos impactos que causa sobre a biodiversidade e os problemas éticos que lhe estão subjacentes. O seu actual futuro depende de factores económicos e sociais, que condicionam o desenvolvimento industrial e, por consequência, o desenvolvimento da biotecnologia e seus produtos.
Eis os bens e produtos obtidos através da biotecnologia, bem como as suas principais áreas de intervenção. Nomeadamente, ao nível da:

Agricultura - adubo composto, pesticidas, silagem, mudas de plantas ou de árvores, plantas transgénicas, etc.
Alimentação - pães, queijos, cerveja, vinho, proteína unicelular, aditivos, etc.
Química - butanol, acetona, glicerol, ácidos, enzimas, metais, etc.
Electrónica - biosensores
Energia - etanol, bio gás
Meio Ambiente - recuperação de petróleo, tratamento do lixo, purificação da água
Pecuária - embriões
Saúde - antibióticos, hormonas e outros produtos farmacêuticos, vacinas, reagentes e testes para diagnóstico, etc.
By: Catarina

terça-feira, janeiro 24, 2006

Os perigos dos OGM's



A utilização dos alimentos geneticamente modificados traz diversos problemas não só ao nível da saúde como também tem impactos negativos sobre o ambiente e sobre a agricultura, devido ao seu uso intensivo nesta área.

- Riscos para a saúde
As empresas biotecnológicas alegam que não são conhecidos efeitos nocivos para a saúde devido ao consumo de OGMs. Mesmo assim, o desconhecimento de efeitos nocivos não significa que estes não existam. No entanto, já foi demonstrado que os perigos envolvidos são vários e reais. Para agravar isto, os alimentos transgénicos à venda não foram submetidos a testes para avaliar o seu efeito no sistema imunitário humano – a colocação destes alimentos nas prateleiras é uma verdadeira experiência, mas sem ninguém a analisar os resultados.

Aparecimento de alergias e aumento da toxicidade dos alimentos

Já foi confirmada a transferência de substâncias alérgicas por acção da engenharia genética. Apesar disso, muitos alimentos geneticamente modificados à venda contêm proteínas cujo potencial alérgico nunca foi testado.
Como consequência do processo de transferência de genes, pode-se observar o aparecimento de novas toxinas ou o aumento da concentração de outras já existentes, eventualmente tornando-se perigosas. Numa experiência com leveduras geneticamente modificadas em que cientistas japoneses pretendiam triplicar a produção de uma única enzima, foram surpreendidos pelo aumento de 40 a 200 vezes na concentração de uma substância mutagénica.
Da forma semelhante, podem surgir combinações proteicas anteriormente desconhecidas, com efeitos imprevisíveis.

Aumento da patogenicidade

O uso generalizado de herbicidas e antibióticos na agricultura e pecuária, respectivamente, tem provocado uma resistência crescente por parte dos organismos patogénicos em relação aos agentes usados para os destruir. No desenvolvimento de OGMs, os engenheiros genéticos ligam muitas vezes ao gene com a característica desejada um gene marcador de resistência a antibiótico (MRA), que ajuda a determinar se o primeiro foi incorporado com êxito no organismo receptor.
Vários investigadores têm alertado para o facto de que a ingestão de alimentos geneticamente modificados pode permitir a recombinação dos genes MRA com micróbios patogénicos existentes no ambiente ou no intestino de animais e humanos. Este processo contribui para o agravamento dos perigos da resistência a antibióticos: infecções provocadas por novas variantes de microrganismos como a salmonella e a e-coli que não podem ser curadas pelos antibióticos tradicionais.

Aumento de casos de cancro

Produtos como herbicidas, pesticidas e fertilizantes são os principais responsáveis pela contaminação das águas superficiais, aquíferos e alimentos. O uso intensivo de OGMs na agricultura poderá ser um incentivo à aplicação de doses ainda maiores desses produtos, agravando o problema de contaminação. Vários estudos científicos relacionam este tipo de poluição com diversas formas de cancro.
A inserção de DNA viral em DNA de células de mamíferos pode ter efeitos negativos, como a activação e inactivação de genes, um passo que pode ser crucial para o desenvolvimento do cancro.

- Riscos para o ambiente
O impacto na Natureza, nomeadamente ao nível dos ecossistemas e das espécies, também não é o melhor.

Diminuição da diversidade biológica

Numa altura em que se estima serem 50 000 o número de espécies que se extinguem todos os anos, os ecossistemas encontram-se altamente instáveis e desequilibrados, já que os OGMs, por que são seres vivos novos, não têm predadores naturais e podem, em certos casos, expandir-se com facilidade, competindo directamente com as espécies nativas.
A aplicação de um herbicida não selectivo a culturas de OGMs tolerantes elimina outras plantas, mesmo que benéficas. Insectos, aves e mamíferos dependentes são, consequentemente, afectados. Existem ainda evidências de que plantas transgénicas se podem tornar tóxicas para os animais. Resultado: a previsível ruptura dos já fragilizados ecossistemas.

- Riscos para a agricultura
Ao contrário do que alegam as empresas de biotecnologia, a agricultura tem mais a perder com os transgénicos do que a ganhar.

Aumento do uso de herbicidas

A maior parte das plantas transgénicas foram modificadas para se tornarem resistentes a um determinado herbicida. Trata-se de uma forma engenhosa de multiplicar os lucros tornando os agricultores ainda mais dependentes do uso destes químicos. Os agricultores, conhecedores se que os transgénicos não serão directamente afectados, são tentados a aplicar quantidades ainda maiores de herbicidas. O uso excessivo destes produtos químicos leva ao desenvolvimento de resistências por parte das pragas, obrigando à aplicação de doses crescentes para atingir o resultado pretendido.

Aparecimento de “super-pragas”

Quando uma planta infestante (cujo controlo se pretende assegurar) adquire a resistência a um herbicida por cruzamento com um OGM, podem resultar autênticas “super-pragas”, já que a aplicação daqueles químicos deixa de surtir efeito.
No caso de OGMs produtores de pesticida, dado que estes químicos estão permanentemente expostos, a probabilidade das pestes desenvolverem resistências é ainda superior.
Há também evidências de que plantas geneticamente modificadas têm 20 vezes mais probabilidades de se cruzarem com ervas semelhantes do que com exemplares da sua própria espécie.

- Efeitos negativos no solo e seus organismos
As folhas caídas das plantas transgénicas podem alterar a composição biológica do solo
, provocando alterações na absorção de nutrientes pelas plantas ou mesmo toxicidade para os organismos deste meio – que desempenham um papel fundamental no equilíbrio biológico do solo bem como nos vários ciclos bio geoquímicos (ciclo da água, azoto, fósforo, enxofre, etc.).

Aumento da fome no mundo

Se a cultura de transgénicos se generalizar, a maioria dos agricultores terá de adquirir as sementes e herbicidas às empresas biotecnológicas, ficando ainda mais dependentes delas. No caso particular do terceiro mundo, em que a alimentação depende da existência de variedades bem adaptadas ao clima de cada região e de uma produção alimentar localizada e sustentada, o resultado será menos comida e, portanto, mais fome.
Acresce ainda o facto de a produtividade de alguns transgénicos ser inferior à das culturas tradicionais respectivas e de significarem um passo no sentido de explorações agrícolas intensivas de grandes dimensões, quando já foi demonstrado que as mais eficientes são as de tamanho médio, utilizando técnicas como a rotação de culturas, protecção integrada e fertilização com adubos naturais.
By: Catarina

segunda-feira, janeiro 23, 2006

As aplicações dos OGM's


Existem milhares de aplicações possíveis para os OGMs. O sector que visivelmente tem explorado mais esta técnica é o da agricultura. A nível deste sector são várias as aplicações, nomeadamente:

No controle de pragas: a perda de colheitas devido à acção de pragas traz prejuízos avultados aos agricultores. O uso de herbicidas no controlo do crescimento de ervas daninhas generalizou-se, mas não são suficientes e, além de prejudicarem as colheitas, estão na origem de problemas ambientais significativos. A indústria biotecnológica desenvolveu plantas geneticamente modificadas que produzem o seu próprio pesticida ou que são resistentes à aplicação de um herbicida. Desta forma, as culturas não são afectadas e a aplicação de herbicidas é inferior, minimizando os problemas ambientais.

Na resistência a doenças: muitos vírus, fungos e bactérias são responsáveis por várias doenças que afectam as plantas. A engenharia genética tem desenvolvido formas de introduzir nestas espécies vegetais, genes que conferem resistência a organismos patogénicos.

Na tolerância à geada: as geadas são uma das causas da perda de colheitas. Foi descoberto num peixe que habita as águas do Árctico, um gene que impede a formação de gelo, tendo sido introduzido no DNA do tomate e do tabaco. Desta forma, produzem uma proteína que, aderindo à superfície dos caules e das folhas, impede a formação dos cristais.

Na nutrição: a subnutrição é um problema usual em países do terceiro mundo onde as populações dependem unicamente de um tipo de cultura (arroz). A indústria biotecnológica alega poder introduzir na constituição desta e de outras culturas uma série de nutrientes importantes para fornecer uma alimentação mais completa a essas populações. O ‘arroz dourado’ é exemplo disso.

Na fito-remediação: a poluição do solo e dos lençóis freáticos é um problema extremamente grave e comum em todo o Mundo. É possível alterar geneticamente determinadas plantas de modo a aumentar a sua capacidade de absorver metais pesados e outros contaminantes.
By: Catarina

sexta-feira, janeiro 20, 2006

"EUA experimentam primeira produção de açúcar com beterraba transgénica"


A beterraba geneticamente modificada tolerante a herbicidas está disponível há pouco tempo, pelo que ainda não se produz açúcar a partir da mesma em nenhum país, devido às reticências comerciais por parte das açucareiras. Porém, os Estados Unidos, onde existem variedades aprovadas, vão iniciar tal produção, com carácter experimentar, no final desta campanha.

A novidade foi avançada na semana passada em Idaho, Estados Unidos.

(…) clarifica que o açúcar produzido com beterraba transgénica «é idêntico ao produzido com beterrabas convencionais e praticamente indistinguível, já que o DNA é destruído no processo de fabricação e refinação».

(…)
http://www.confragi.pt/

As problemáticas


Os alimentos geneticamente modificados, genericamente designados de OGM, suscitam muitas dúvidas, inclusivamente muitas questões éticas. A ética está relacionada com aquilo que podemos e aquilo que devemos fazer. Tem a ver com a diferença entre bem e mal, o que é certo e o que é errado.

Andarão os cientistas a fazer de Deus ou estarão eles meramente a apoiar uma evolução natural?
Quando se fazem modificações genéticas, as características dos animais e das plantas são alteradas, sendo retirados genes de uma planta ou animal e colocados noutra planta ou animal. Ou ainda, retirando as características indesejáveis da planta ou animal. Utilizando a engenharia genética, uma característica de um narciso poderá, por exemplo, ser transferida para uma planta do arroz, tendo como finalidade cultivar arroz com um elevado teor de vitamina A. Um narciso e uma planta do arroz nunca se polinizarão uma à outra nem permutarão genes espontaneamente. É igualmente possível transferir características de um animal para uma planta, que é algo que também não acontece por si só na natureza. Esta problemática levanta questões como ‘’ Não andarão os cientistas a fazer de Deus ao mudarem as características de uma planta? ‘’, ‘’ Estará certo alterar as suas características inerentes e permitir alterações que não possam ocorrer naturalmente? ‘’

Os alimentos geneticamente modificados são perigosos ou as pessoas estão apenas receosas de algo novo?
Não são conhecidos os riscos envolvidos na modificação genética dos alimentos. Talvez, a longo prazo, a modificação genética dos alimentos possa vir a ser causa de alterações indesejáveis ou directamente perigosas. A natureza poderá ficar estandardizada. As pessoas poderão adoecer ou ficar estéreis. Não se sabe ao certo. As questões que mais se levantam são do género ‘’ Sabe-se o suficiente para se poder consumir com segurança alimentos geneticamente modificados? Qual o grau de segurança da avaliação de riscos que os cientistas fazem dos alimentos geneticamente modificados? ‘’, ‘’Ousaremos correr o risco de expor o ambiente a plantas geneticamente modificadas? Se se descobrir que elas são nocivas, não poderemos fazer nada. E os danos podem disseminar-se se as plantas se multiplicarem. ’’ , €‘’Os alimentos geneticamente modificados serão realmente necessários? Vale a pena correr os riscos para nós e para o ambiente se pudermos dispensar os alimentos geneticamente modificados?’’

Deveremos ter sempre o direito de escolher aquilo que comemos?
Na Europa, se um alimento contiver material geneticamente modificado, terá de constar na respectiva embalagem que se trata de um alimento geneticamente modificado. A questão importante é se não será assegurar que, nos casos em que a modificação genética tenha sido utilizada, os consumidores sejam avisados para poderem evitar esses produtos?
Poderão os países ricos recusar-se a salvar os pobres de morrer de fome?A maior parte da investigação sobre os alimentos geneticamente modificados decorre nos países mais ricos. Mas alguns dos produtos são desenvolvidos para beneficiar os países pobres e subdesenvolvidos.
O arroz geneticamente transformado com um suplemento de Vitamina A poderá ajudar muitos pobres que, de outro modo, poderiam cegar ou morrer de carências vitamínicas. O milho geneticamente modificado pode ser cultivado em zonas desérticas, o que poderá dar aos agricultores pobres uma maior segurança com uma colheita que não falha. São várias as questões que se colocam: ‘Será justo o ocidente desenvolver produtos de que os países subdesenvolvidos possam ficar dependentes? ’, ‘Uma distribuição mais justa dos alimentos existentes no mundo e uma dieta mais variada nos países subdesenvolvidos não seria uma melhor solução? ’, ‘As promessas de salvar as populações famintas do mundo não serão apenas um truque astucioso das empresas de biotecnologia? ’

Estaremos a jogar à roleta russa com o ambiente quando fazemos modificação genética?
A modificação genética poderá proporcionar-nos plantas e animais com muitas características diferentes. Por exemplo, foi desenvolvida uma qualidade de milho capaz de produzir insecticida. Estas características significam que o agricultor já não necessita de pulverizar insecticida que iria afectar o meio envolvente. Ao evitar a utilização de pesticidas, o agricultor evita contaminar o ambiente. Mas o veneno do milho também poderá afectar outros animais para além dos nocivos. Deste modo, animais inofensivos arriscam-se a perder o seu alimento ou mesmo a extinguir-se.
‘Será justo aceitar o risco de as características transferidas se alastrarem às plantas selvagens? Poderemos correr o risco de desconhecer as consequências da disseminação destas características à natureza? ’

São estas e muitas mais as questões que a produção de OGM levantam, relacionados com problemas éticos que se erguem.


by Catarina

terça-feira, janeiro 17, 2006

Células estaminais curam doenças sanguíneas



Cientistas nos EUA falam terem conseguido corrigir com sucesso a mutação genética causadora da doença associada ao sangue, a anemia.

Uma equipa da Universidade da Califórnia desenvolveu tal estudo com células estaminais retiradas de embrião de rato.
(…) esta doença caracteriza-se por problemas ao nível da circulação (…) causada por uma mutação genética da qual resulta a forma anormal da hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigénio no sangue.
Com isto, as células sanguíneas assumem formas diversas que não as normais, o que se traduz numa má circulação do sanguínea.
Os cientistas trabalharam com células estaminais embrionárias que possuíam esta mutação.
No seu trabalho, introduziram uma cópia de um gene de hemoglobina saudável, substituindo a versão mutada. Esta inserção gerou novas células sem mutação, mas não uma célula de hemoglobina na sua totalidade.
Os investigadores esperam serem capazes de geneticamente alterar células estaminais embrionárias retiradas do DNA do próprio paciente para posteriormente repor de novo no paciente, corrigindo-se deste modo este tipo de mutações.


www.bbc.com

domingo, janeiro 15, 2006

O tamanho das plantas

A Universidade de Washington patenteou um novo método laboratorial de controlar o tamanho das plantas. O processo passa pela alteração de um gene específico que permite a obtenções de versões em tamanho reduzido de plantas ou frutos.

(...)
a descoberta científica pode ter implicações ao nível da adaptação dos cultivos a diferentes condições agronómicas, podendo-se conseguir uma maior produtividade com um menor consumo de água e fertilizantes.

Os cientistas responsáveis identificaram o gene DWF1 (Dwarf1) que é responsável pela produção de uma proteína que determina o nível de hormonas vegetais, que se activa ou desactiva através do cálcio. Se se alterar este gene, modifica-se também o tamanho da planta, controlando-se, ao mesmo tempo, o stress hídrico e a resposta da planta ao mesmo.

Cientistas britânicos pedem permissão para criar embriões híbridos, fundindo células humanas com ovos de coelhos

Cientistas britânicos querem usar embriões para a produção de células estaminais que suportam defeitos genéticos. O estudo destas células estaminais pode ajudar ao estudo das inúmeras doenças que afectam os humanos.
Apesar de serem feitas com material celular de coelhos, os cientistas acreditam que estes embriões serão controlados pelo DNA humano.
‘’Os coelhos não poderiam crescer até uma fase mais madura em laboratório e apenas seriam usados na investigação do desenvolvimento das células estaminais, no estudo dos erros genéticos e no estudo de doenças’’, defendem
(…)
Membros do grupo que está a desenvolver este trabalho, estão já a desenvolver esforços no sentido de garantirem autorização das entidades, já que este estudo levanta muitas questões éticas e legais.
(…)
www.cnn.com

A Engenharia Genética


O QUE É A ENGENHARIA GENÉTICA?


A engenharia genética, um novo campo da Biologia que surgiu com o avanço tecnológico, permite o estudo de organismos vivos, como matéria prima, para mudar formas de vida existentes e criar novas, a partir da modificação do DNA de um organismo para produzir novos genes com novas características.
As características de cada organismo são determinadas pelo seu DNA ( Ácido Desoxirribonucleico), que se encontra no núcleo das suas células. Esta molécula contém a informação genética que determina como as células individuais e, consequentemente, o organismo como um todo, será construído, como funcionará e se adaptará ao ambiente. Os genes, segmentos de DNA, determinam a composição das células e, uma vez que possuem uma determinada composição química, vão determinar o comportamento dos indivíduos. Desenvolvendo-se constantemente, os genes permitem que o organismo se adapte ao ambiente. Este é o processo de evolução.

O QUE FAZ?


Em engenharia genética, são utilizadas enzimas - as enzimas de restrição – para a quebra da cadeia de DNA, por hidrólise em determinados locais específicos, inserindo segmentos de outros organismos e ‘’costurando’’ a sequência de novo. Este processo é possível pela especificidade assegurada pela sequência de nucleótidos, que a enzima reconhece. Os cientistas podem "cortar e colar" genes de um organismo para outro, mudando a forma do organismo e manipulando sua biologia natural, a fim de obter características específicas (por exemplo, determinados genes podem ser inseridos numa planta para que esta produza toxinas contra pestes). Este método é muito diferente do que ocorre naturalmente com o desenvolvimento dos genes. O lugar em que o gene é inserido não pode ser controlado completamente, o que pode causar resultados inesperados, podendo afectar genes de outras partes do organismo.
Deste modo é possível fazer cruzamentos entre diferentes espécies que, naturalmente, nunca se ocorreriam.

QUAIS OS IMPACTOS?

O aumento da preocupação com a ética e os riscos envolvendo a engenharia genética são muitos. Primeiro porque os genes são transferidos entre espécies que não se relacionam, como genes de animais em vegetais, de bactérias em plantas e até de humanos em animais. Segundo porque a engenharia genética não respeita as fronteiras da natureza – fronteiras que existem para proteger a singularidade de cada espécie e assegurar a integridade genética das futuras gerações.

’Como nunca nenhum gene funcionou isolado, sempre haverá um efeito inesperado e imprevisível de um gene estrangeiro introduzido em um outro organismo.’’
Dr. Mae Wan-Ho, Open University, Reino Unido