Engenharia Genética

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Sábado, Março 04, 2006

Fármaco imita mutação genética

O desafio reside na adesão aos tratamentos, que depende de produtos de toma mais confortável

O novo medicamento, chamado de antagonista do receptor CCR5, corresponde a um dos desenvolvimentos mais rápidos da história farmacêutica. O passo inicial para a sua criação começou com a descoberta, em 1996, do gene CCR5 e a constatação de que as pessoas onde esta informação genética era omitida não eram infectadas pelo HIV. Tendo em conta que cada novo medicamento demora em média 15 a 20 anos até chegar ao mercado, estes novos fármacos podem considerar-se recordes.Em cerca de 1,5% da população mundial, as duas cópias deste gene estão "apagadas", o que, em termos práticos, significa que não contraem sida e são imunes à doença. Cerca de 20% da população tem apenas uma cópia defeituosa e estas pessoas acabam por ser infectado pelo HIV e desenvolver a doença, mas com um atraso médio de dois anos em relação aos outros doentes, onde as duas cópias do gene estão normais.O vírus do HIV entra na célula humana, onde se replica, através de receptores. O CCR5 é um dos principais (mas não o único, pelo que, em alguns casos, este antagonista não terá efeito) e, inibida a sua acção, o vírus é impedido de entrar na célula. Logo, não se multiplica e, desta forma, apesar de infectada, a pessoa tem uma capacidade de transmissão da doença quase nula e pode viver anos sem vir a desenvolver a doença. Existem actualmente cerca de 20 fármacos no mercado para o tratamento dos doentes infectados com HIV. A terapêutica administrada é sempre dada em combinação e, no final, o médico terá à sua escolha apenas quatro classes de medicamentos. Os primeiros a aparecer foram os nucleosídeos (inibidores da transcriptase reversa). Foram ultrapassados por um novo grupo que, não sendo proveniente de uma molécula muito diferente, era muito mais potente os não nucleosídeos. Com uma eficácia semelhante, apareceram depois os inibidores da protease e, finalmente, os inibidores da fusão. Teoricamente, entre 60 e 70% dos doentes que tomam correctamente a medicação têm probabilidade de viver sem infecção. Mas o problema reside na adesão ao tratamento. E isso depende do desenvolvimento de produtos de toma mais confortável, mais bem tolerados e mais fáceis de administrar. Para além dos antagonistas do CCR5, outras possíveis terapêuticas estão em investigação por todo o mundo. A par do desenvolvimento de novas drogas (com outros mecanismos de acção), a terapia génica é outra das apostas para o tratamento do HIV no futuro.